Quatro motores explicam sequência de recordes do Ibovespa em 2026

São Paulo – O Ibovespa abriu 2026 repetindo marcas históricas e já emendou cinco pregões consecutivos de máximas, superando 170 mil pontos e chegando a 177 mil na quinta-feira (22). A arrancada, que sucede a alta de 34% em 2025 — melhor resultado anual desde 2016 —, é atribuída a quatro vetores principais: entrada de capital estrangeiro, retorno do aplicador local, diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e perspectivas otimistas para a economia doméstica.

Prefácio:

Capital externo lidera as compras

A redução dos juros norte-americanos pelo Federal Reserve em 2025, enquanto a Selic permanece em 15% ao ano, ampliou a atratividade do mercado brasileiro. Só no ano passado, investidores de fora movimentaram R$ 2,8 trilhões em ações na B3, volume equivalente a mais de 60% de todo o giro da Bolsa. Esse fluxo ganhou novo impulso em janeiro, em meio às incertezas geradas pela política externa considerada hostil do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Bolsa e real têm sido favorecidos pela migração de recursos que deixam Wall Street em busca de mercados menos voláteis”, observa Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.

Retorno do investidor local

Após resgates líquidos de R$ 113,4 bilhões em fundos de ações e multimercados em 2025, gestores veem retomada gradual das aplicações em renda variável neste ano. A expectativa de cortes na Selic estimula a realocação de parte dos recursos que migraram para a renda fixa — segmento que somou aportes líquidos de R$ 88,4 bilhões no ano passado.

“Os fundos estão subalocados em Bolsa; parte desse dinheiro já começa a voltar”, afirma Fernando Siqueira, da Eleven Financial.

Valuations ainda descontados

Mesmo com a valorização recente, o Ibovespa segue negociando abaixo da média histórica em termos de preço sobre lucro (P/L), segundo cálculos de casas de análise. Para Bernardo Viero, da Suno Research, esse patamar reforça a percepção de que há espaço para mais altas.

Corte de juros no radar

A maior parte do mercado projeta que o Banco Central inicie o ciclo de queda da Selic neste trimestre. Menor custo de crédito tende a impulsionar consumo, reduzir despesas financeiras das empresas e melhorar projeções de lucros, quadro que atrai compradores de ações.

“Se a queda dos juros vier já em março, com economia aquecida e debate fiscal construtivo, podemos ter mais um ano positivo para a Bolsa”, diz Felipe Cima, da Manchester Investimentos.

Projeções e volatilidade

Analistas reconhecem que a trajetória poderá ser marcada por realizações de lucro, mas mantêm cenários otimistas. Empiricus, Suno Research e Eleven Financial estimam o índice em 190 mil pontos até dezembro, avanço de cerca de 7% sobre o nível atual. No cenário mais favorável traçado pela XP, o Ibovespa poderia alcançar 224 mil pontos, alta de 26,5%.

Para Einar Rivero, da Elos Ayta, a sucessão de recordes indica “ambiente de maior apetite por risco” no início de 2026, mas ele ressalta que movimentos de correção são esperados após ganhos expressivos.

Com informações de UOL Economia

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