Riscos geopolíticos e diversificação marcam estratégias para investir no exterior em 2026

Com a continuidade de conflitos internacionais e incertezas políticas, especialistas ouvidos no programa Onde Investir 2026, do portal Seu Dinheiro, apontam que o investidor brasileiro deve reforçar a diversificação geográfica e setorial para buscar retornos em moeda forte ao longo do ano.

Prefácio:

Geopolítica segue no radar

O estrategista líder do Santander, Caio Camargo, lembra que guerras como a da Rússia contra a Ucrânia, disputas comerciais e novos focos de tensão — incluindo a recente invasão dos Estados Unidos à Venezuela — tendem a manter os mercados voláteis. Mesmo assim, ele destaca que é possível encontrar bons ativos fora do país.

Ouro, prata e inflação

Em 2025, o ouro subiu 66% em dólares e a prata bateu recorde ao tocar US$ 90, reforçando seu papel de proteção em tempos de crise. Para 2026, Camargo vê esses metais ainda relevantes, mas ressalta que o cenário macroeconômico, sobretudo a trajetória da inflação, deve ganhar peso nas decisões.

Juros nos EUA e mudança no Fed

Enzo Pacheco, analista da Empiricus Research, destaca a relação entre inflação, mercado de trabalho e os juros americanos. A saída de Jerome Powell da presidência do Federal Reserve, prevista para maio, pode provocar oscilações adicionais nas bolsas globais.

Além dos Estados Unidos

Embora o mercado norte-americano concentre as maiores empresas de inteligência artificial, os três especialistas concordam que limitar a carteira ao país não é a melhor estratégia. Mario Nevares, head de investimentos internacionais da G5 Partners, recomenda incluir Europa e Ásia, citando o bom desempenho recente de Espanha, Alemanha e China.

Emergentes em evidência

Os emergentes receberam grande fluxo de capital em 2025 e tendem a permanecer no radar em 2026, segundo Nevares. Ele alerta, porém, que é preciso avaliar cada país individualmente, pois a performance é desigual. Pacheco menciona o Chile, beneficiado pela demanda por cobre, e as empresas chinesas Alibaba e Baidu, que ampliam investimentos em processamento para surfar a onda da IA.

IA não é bolha generalizada

Pacheco afasta o temor de uma bolha semelhante à da internet em 2000. Ele compara: enquanto a Cisco negociava a 100 vezes o lucro naquele período, a Nvidia, no auge de 2025, estava a 60 vezes, recuando depois para 20-30 vezes. Ainda assim, ele reforça que cada ação deve ser analisada individualmente.

Dólar como pilar da carteira

Após cair cerca de 10% em 2025 frente a uma cesta de moedas fortes, o dólar continua visto como proteção de longo prazo. Camargo diz que o foco deve estar na proporção investida, e não no preço pontual. A recomendação do trio gira entre 20% e 30% de exposição ao exterior, com possível ampliação para outras moedas como yuan chinês, rupia indiana, dólar canadense e dólar australiano.

Acesso facilitado

Pacheco lembra que a abertura de contas internacionais ficou mais simples, o que justifica aumentar a fatia de ativos globais. “Não existe o dólar perfeito, e sim o dólar feito”, resume o analista, criticando a busca por pontos ideais de entrada.

Combinação de ativos

Para 2026, Camargo vê a “pimentinha” da tecnologia e da IA como essencial, mas defende um portfólio equilibrado entre renda variável, renda fixa e alternativas. Entre as teses específicas citadas estão a TSMC, apesar do risco Taiwan, e a farmacêutica Novo Nordisk, impulsionada pela aprovação de medicamento para emagrecimento.

Nevares conclui que dificilmente haverá “bala de prata”; a melhor saída é distribuir recursos em várias classes e regiões para reduzir riscos sem abrir mão de oportunidades globais.

Com informações de Seu Dinheiro

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