Galípolo (BC) grato por caso Master no governo Lula
BRASÍLIA - O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, defendeu a autonomia da instituição durante as investigações envolvendo o Banco Master e agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o apoio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Galípolo participou nesta segunda-feira (9/2) de evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC).
Em sua fala, ele também agradeceu o trabalho do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e da Polícia Federal (PF).
Galípolo e a Autonomia do Banco Central
“O ministro Haddad vem dando declarações reiteradas de apoio desde o primeiro momento. E eu agradeço a Deus de estar passando por um processo como esse tendo como presidente o Lula. Eu quero sublinhar a garantia da autonomia do BC e da Polícia Federal, disse Galípolo, que foi indicado pelo petista para o comando da instituição.
“Muita gente pode dizer: ‘mas isso é uma garantia constitucional, está dada ali’. É isso mesmo. Mas termos essa certeza, essa tranquilidade que vamos poder trabalhar com essa devida autonomia, sem que ninguém nos pergunte o que está sendo descoberto, o que não está sendo descoberto, e garantir essa proteção por parte do presidente da República para que a gente possa desenvolver o nosso trabalho é bastante importante”, acrescentou ele.
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Lula e a Investigação do Banco Master
Na quinta-feira (5/2), Lula comentou sobre o assunto em entrevista ao portal “UOL”. Ele relatou que já havia dito ao presidente do Master, Daniel Vorcaro, que não haveria “posição política” a favor ou contra a empresa, mas, sim, uma “investigação técnica”, em encontro entre os dois mediado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, em dezembro de 2024.
“É uma chance extraordinária. Não me importa que envolva política, que envolva partido, que envolva banco. Quem tiver metido nisso vai ter que pagar o preço da irresponsabilidade de dar um rombo, talvez o maior rombo econômico deste país” afirmou Lula.
Haddad e a Atuação do Banco Central
Durante entrevista ao portal Metrópoles em 29 de janeiro, questionado sobre a atuação do Banco Central no caso Master, Haddad afirmou que Gabriel Galípolo tem “plena consciência do abacaxi que herdou de seu antecessor”, Roberto Campos Neto. E disse também que o caso se trata possivelmente da “maior fraude bancária da história do país”.
“Quando o Gabriel assume a presidência do BC, ele já tem plena consciência do tamanho do abacaxi que herdou do seu antecessor, tem total clareza de que ali é a maior fraude bancária possivelmente da história do Brasil. Então se instauraram os processos necessários para dar a solidez para as decisões que o BC precisa tomar”, disse o ministro.
Galípolo Defende a Liquidação do Banco Master
O presidente do Banco Central ainda defendeu a decisão de liquidar o banco Master após questionamentos sobre a atuação da autoridade regulatória. “Havia apenas R$ 4 milhões em caixa, já existia um processo administrativo sancionador em cima do banco desde o primeiro trimestre de 2025 porque ele estava mais de R$ 2,5 bilhões atrás do compulsório, e, naquela semana, o banco tinha mais de R$ 120 milhões para pagar em CDBs”, disse.
“Você não pune a instituição e salva as pessoas. Você tenta salvar a instituição e pune as pessoas que possam ter feito mal”, completou Gabriel Galípolo, no evento da ABBC.
Em meio às investigações conduzidas pelo ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), o chefe da autoridade monetária defendeu o trabalho do diretor de fiscalização Ailton de Aquino Santos na investigação do Master.
Banco Central não faz notícia de crime. Não determina que houve crime. Isso é função da Polícia Federal, da Justiça, do Ministério Público. Banco Central faz notícia de fatos que vão ser investigados por quem tem competência para fazê-lo, destacou Galípolo. Segundo a operação Compliance Zero, que levou à prisão de Vorcaro, o banco Master vendeu carteiras de consignado inexistentes ao BRB, o banco público de Brasília, estimadas em R$ 12,2 bilhões.
