Cúmplice de Epstein silencia, mas topa depor com indulto de Trump

Ghislaine Maxwell, figura central no caso Jeffrey Epstein, invocou o direito ao silêncio durante sua aparição na Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes dos EUA. A sessão ocorreu nesta segunda-feira. Ela se recusou a responder às perguntas dos deputados, amparada na Quinta Emenda da Constituição americana para evitar autoincriminação.
Os advogados de Ghislaine afirmaram que ela estaria disposta a revelar detalhes da relação de Epstein com autoridades políticas e empresariais dos EUA. A condição seria a concessão de um indulto por parte do então presidente Donald Trump.
Cumprindo uma pena de 20 anos de prisão por tráfico sexual de menores, Ghislaine depôs por videoconferência a partir da prisão. A comissão da Câmara, controlada pelos republicanos, investiga as conexões de Epstein com diversas personalidades e o gerenciamento das informações sobre seus crimes.
Arquivos Relacionados a Epstein
Após a publicação, em 30 de janeiro, de novos arquivos governamentais relacionados a Epstein, figuras políticas e empresariais de todo o mundo se viram envolvidas em escândalos. Alguns renunciaram devido a seus vínculos com o criminoso sexual. No entanto, não se esperam novas acusações.
Os parlamentares já haviam rejeitado um pedido da defesa de Ghislaine para que ela recebesse imunidade para testemunhar. Sem essa proteção, a defesa já havia informado que recorreria ao direito de não produzir provas contra si mesma.
Prosseguir nessas circunstâncias não serviria para outra coisa senão um puro espetáculo político, declararam seus advogados em uma carta.
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O Que Ghislaine Poderia Revelar
Após a recusa de Ghislaine em responder às perguntas, o advogado David Markus, que a representa, afirmou que ela era a única que poderia esclarecer detalhes da relação de Epstein com o presidente Trump e o ex-presidente Bill Clinton. Segundo ele, isso seria possível por meio de um depoimento.
Ghislaine Maxwell com Jeffrey Epstein em Nova York em 2005 — Foto: New York Times
Só ela pode contar a história completa. Alguns podem não gostar do que ouvirem, mas a verdade importa. Por exemplo, tanto o presidente Trump quanto o presidente Clinton são inocentes de qualquer irregularidade. Só a Sra. Maxwell pode explicar o porquê, e o público tem o direito a essa explicação, disse Markus.
Ghislaine é a única pessoa condenada por um delito relacionado a Epstein. O milionário foi encontrado morto na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores. O caso foi classificado como suicídio.
Ceticismo das Vítimas
Em uma carta enviada aos parlamentares antes da aparição de Ghislaine, sobreviventes do esquema de exploração de Epstein pediram que os deputados encarassem com ceticismo todas as falas da cúmplice dos crimes do milionário.
Instamos a Comissão a abordar o depoimento da Sra. Maxwell com o máximo ceticismo, a examinar rigorosamente todas as suas alegações e a garantir que este processo não se torne mais um veículo pelo qual sobreviventes sejam prejudicados ou silenciados, disseram as vítimas, afirmando que muitas foram prejudicadas por Maxwell ao longo de décadas.
A Sra. Maxwell não era uma figura periférica. Ela foi uma arquiteta central e indispensável da organização de tráfico sexual de Jeffrey Epstein.

Apesar disso, ela se recusou a cooperar de forma significativa com as autoridades policiais ou a fornecer informações completas e confiáveis sobre a extensão da rede de tráfico.
Epstein havia sido condenado em 2008 por solicitar serviços de prostituição a uma menor. Seus amplos vínculos com os ricos e poderosos, especialmente após sua libertação em 2009, tornaram-se politicamente explosivos em todo o planeta.
Uma lei obrigou o governo Trump a publicar milhões de documentos, fotos e vídeos relacionados à investigação sobre Epstein.
O ex-presidente democrata Bill Clinton vai depor sobre sua relação com Epstein em 27 de fevereiro. Sua esposa e ex-chefe da diplomacia americana, Hillary Clinton, o fará um dia antes, segundo a comissão.
Trump já foi um amigo próximo de Epstein, mas não foi convocado a depor pelo painel, que é dirigido por membros de seu Partido Republicano. Nem os Clinton nem Trump foram acusados de qualquer ato ilícito relacionado ao financista.
